Alan Leal

Pesquisa

International trade and deforestation: the political economy behind Brazilian land-intensive exports

Titulação
Doutorado em Teoria Econômica, Universidade de São Paulo (USP), 2025
Palavras-chave
Desmatamento; meio ambiente; teoria dos jogos; comércio internacional; microeconomia
Texto completo
doi.org/10.11606/T.12.2025.tde-09102025-110644

Resumo

O comércio está diretamente relacionado ao desmatamento e aos padrões de uso da terra. Como indutor de intensa atividade econômica e do uso intensivo de fatores associados ao desmatamento e à terra, o comércio é frequentemente associado a maiores emissões de CO2, poluição, desmatamento e outros resultados ambientais negativos.

A tese analisa, inicialmente, o impacto de regras de importação mais rigorosas da União Europeia no contexto do acordo de livre comércio União Europeia–Mercosul, por meio de um modelo espacial quantitativo adaptado que torna endógenos o uso da terra e o uso de estruturas. Nos cenários em que o comércio dos setores intensivos em terra enfrenta encargos mais elevados, o uso da terra no Brasil tende a aumentar nos estados periféricos da Amazônia Legal.

Em seguida, a tese emprega um modelo de teoria dos jogos para analisar a dinâmica entre as preferências dos países por tarifas comerciais e os níveis de desmatamento em pares de países. Os resultados indicam que o livre comércio com desmatamento zero não constitui uma solução social ótima nem factível. O modelo evidencia também um incentivo ao comportamento de carona (free riding): o país mais preocupado com o desmatamento arca com uma parcela maior do esforço do que o país menos preocupado.

A tese conclui que a cooperação e a ação multilateral são necessárias para enfrentar o desmatamento e que o acesso a mercados pode funcionar como mecanismo para induzir esforços mais intensos por parte de países com extensos territórios florestais, como o Brasil.